cartéis - index

Nesse ano de 2006, a Elba convocou dois cartéis com temas pilares para o funcionamento de uma instituição psicanalítica:

CARTEL: Diferenças institucionais

O cartel como modalidade de produção ou trabalho no seio da comunidade analítica, coloca em ato a circulação do lugar de cada um. Entre nós, encontram-se também analistas com títulos (acadêmicos), entretanto, esse fato não os favorece ou os deixa em lugar de destaque. Nesse trabalho, nessa instituição, cada analista há que definir seu lugar através da sua produção.Esse cartel, estruturado sob a forma de quatro + um, se organizou a partir da necessidade de nos voltarmos enquanto membros para uma discussão e reflexão, em torno daquilo que se denomina como instituição psicanalítica e nas diferenças observáveis no seu modo de funcionamento. A partir daí, algumas perguntas começaram a se organizar. A idéia é que nos debrucemos sobre essas perguntas e que isso seja registrado ao longo do trabalho, resultando numa produção que se materializará ao final quando o cartel se dissolverá. As perguntas que surgiram podem ser transpostas a partir de algumas que por sua precisão e abrangência, deram origem a outras:
O que é uma instituição de psicanálise?
Quais os seus fundamentos?
O que pode sustentá-la?
Para que serve uma instituição de psicanálise?
O que caracteriza a transmissão da psicanálise numa instituição?
Que marca ou marcas, carrega a Escola Lacaniana da Bahia que pode ser traduzida como o elo que permitiu a estes que se fizeram membros, realizarem o ato simbólico de filiação? Por que essa e não outra?
O que significa para nós o termo transferência de trabalho?
Grosso modo, nosso trabalho tem se organizado em três encontros mensais (o previsto seriam dois) sempre nas noites de segunda-feira, por duas horas, onde trabalhamos em torno das referidas perguntas.
Tal discussão abriu espaço para aprofundarmos naquilo que dá fundamento à prática da psicanálise no que tange à formação dos analistas, tanto aquela que oferecemos àqueles que se aproximam da instituição com o intuito de formar-se, quanto a nossa própria formação, nunca acabada.
Esse trabalho sobre formação tem nos permitido avançar nas discussões acerca de temas (recorrentes) referentes a: final de análise, passagem de analisante a analista, produção escrita, o dispositivo do passe, a escrita sobre a própria análise enquanto passe fictício, discussão clínica e análise de controle.
Participantes: Diva Moura de Oliveira,
Gilson Mota,
Izabel Pedreira,
Gustavo Etkin
Marizabel Almeida.

CARTEL: Técnica em Psicanálise

Para todo aquele que exerce o ofício de psicanalista, a escolha e manejo de uma técnica é variável determinante no que concerne aos resultados que se espera alcançar. Isto denuncia, de maneira contumaz, o compromisso ético daquele que dirige uma cura,ao tempo em que faz eco de sua formação.
Cada psicanálise, no que porta em si de novidade, reinaugura e recria a Psicanálise, colocando como imperativo o questionamento de seu processo.Dessa forma, a técnica alça-se a uma dimensão que ultrapassa o mero saber-fazer.A genialidade de Freud estava justamente aí, em nunca render-se às aparências,ao dado fácil,imediatamente tangível,mas em buscar sempre o que estava para além do horizonte das certezas,confortáveis,no entanto limitadoras. A formação de um psicanalista tem que ser tributária deste legado.
Nossa proposta é inventariar, obviamente sem a pretensão de esgotar, a teorização que na psicanálise dá suporte àquilo que se pode chamar de “técnica”.Tomaremos como ponto de partida os desenvolvimentos freudianos, desde seu desencanto com a hipnose e o nascimento da “cura pela fala”, até os aportes introduzidos por Lacan, lastreados na lógica do significante.
Como este percurso tem, obviamente, compromisso com nossa formação, nos reuniremos sob a modalidade de cartel, este dispositivo concebido por Lacan como lugar de formação e assim sendo, condição de fazer-Escola. Por funcionar como um antídoto contra as tentações imaginárias que obstaculizam o estabelecimento de uma transferência de trabalho, conseqüência da transferência analítica,reproduzindo a estrutura do nó borromeano, o Cartel é um dos pilares da psicanálise em extensão, cujo exercício é um dos objetivos de uma instituição que se crê analítica.
Participantes: Gilson Mota
Diva Moura de Oliveira
Ivonísia Castro
Carmen Lúcia Lavigne
Período:04/05/06 a 04/05/08.